Cumprindo o misterioso desígnio da sua bondade, o Senhor assume a condição de servo e consente em abaixar-Se por nós até à morte de cruz (Fil 2,8). Por este abaixamento visível, realiza a nossa elevação até ao Céu, que é interior e invisível. Vê onde estávamos caídos; e compreende que foi pelo desígnio da sabedoria e da bondade de Deus que fomos devolvidos à vida. Com Adão, caímos pelo orgulho; é por isso que nos abaixamos em Cristo, a fim de apagarmos a antiga falta pela prática da virtude contrária. Ofendemos o Senhor pelo orgulho, agradamos-Lhe agora pela nossa humildade.

Alegremo-nos, glorifiquemo-nos no Senhor, que fez nossos o seu combate e a sua vitória, dizendo-nos: «Coragem, Eu venci o mundo» (Jo 16,33). […] Ele, o invencível, combaterá por nós e vencerá em nós. Então, o príncipe das trevas será lançado para o exterior (cf Jo 12,31), pois não é expulso do mundo, onde se encontra por toda a parte, mas do coração do homem: quando a fé penetra em nós, afasta-o para dar lugar a Cristo, cuja presença lança fora o pecado. […]

Que os oradores guardem a sua eloquência, os filósofos a sua sabedoria, os reis o seu reino; para nós, a glória, as riquezas e o reino são Cristo; para nós, a sabedoria é a loucura do evangelho; para nós, a força é a fraqueza da carne e a glória é o escândalo da cruz (1Cor 1,18-23).


São Paulino de Nola (355-431), bispo
Carta 38, 3-4.6; PL 61, 359
Fonte: Evangelho Cotidiano

 
 

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