Como é possível que, apesar de tais encorajamentos e tais promessas da parte do Senhor, nos recusemos a entregar-nos a Ele totalmente e sem reservas, a renunciarmos a todas as coisas e mesmo à nossa própria vida, em conformidade com o Evangelho (Lc 14, 26), para amarmos apenas a Ele, e mais ninguém a não ser Ele?

Considera tudo o que foi feito para nós: que glória nos foi dada, que planos com vista à história da salvação fez o Senhor desde os pais e os profetas, que promessas, que exortações, que compaixão da parte do Mestre desde as origens! No fim, manifestou a Sua indizível benevolência para conosco ao vir habitar conosco e ao morrer na cruz para nos converter e nos trazer à vida. E nós não abandonamos as nossas próprias vontades, o nosso amor ao mundo, as nossas predisposições e os nossos maus hábitos, aparecendo nisso como homens de pouca fé, ou mesmo sem fé nenhuma. […]

E, contudo, vede como, apesar de tudo isso, Deus Se mostra cheio de uma doce bondade. Ele protege-nos e cuida de nós invisivelmente; apesar das nossas faltas, não nos abandona definitivamente à maldade e às ilusões do mundo; na Sua grande paciência, impede-nos de perecer e vigia de longe o momento em que voltaremos para Ele.

São Macário do Egipto (?-405), monge
Homilias espirituais (a partir da trad. Deseille, Coll. Spi. Or. 40, Bellefontaine 1984, p. 114)
Fonte: Evangelho Cotidiano

 

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